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A Covid-19 e o tráfico da fauna silvestre
O que a pandemia da Covid-19 tem a ver com a preservação da fauna silvestre e o combate ao tráfico e comércio ilegal das espécies?

Tudo.

Segundo André Frota, consultor ambiental e professor de Relações Internacionais e Ciência Política do Centro Internacional Universitário Uninter, epidemias que têm levado à morte de milhares de pessoas ao redor do mundo podem ter origem no tráfico de animais silvestres. O comércio ilegal de espécies retiradas da natureza chega a movimentar, segundo dados da ONU, de 8 a 10 bilhões de dólares.

Doenças como a Covid-19 podem ter sido transmitidas de animais para humanos em meio a rotas de comércio ilegal em países orientais. “O tráfico de animais silvestres é um mercado muito lucrativo que atrai organizações criminosas na Ásia especialmente na rota entre China, Vietnã e Laos”, releva André.

Alguns estudos apontam o Pangolim, um tipo de tamanduá, como o provável transmissor do novo coronavírus aos humanos. As primeiras contaminações pela Covid-19 foram detectadas em pessoas do mercado chinês de Wuhan, primeiro epicentro da pandemia, em novembro de 2019. Daí a doença ter sido batizada de Covid-19. O novo vírus associado à síndrome respiratória aguda grave (SARS) têm levado à morte de milhares de pessoas ao redor do mundo.

A primeira epidemia grave de SARS-CoV, entre 2002 e 2003, na China, já havia se originado na rota asiática, seguindo o mesmo padrão: um hospedeiro original (provavelmente o morcego) e um hospedeiro intermediário silvestre, naquele caso, a civeta-africana (uma espécie de gato selvagem).

As contaminações entre espécies acontecem quando os animais são retirados de seus habitats naturais para serem comercializados em mercados clandestinos. “As teses que explicam como essa transmissão ocorreu (no caso dos coronavírus) indicam um tipo de contaminação cruzada entre espécies que não teriam contato sem que estivessem inseridas nessas rotas”, analisa o professor.

Com a crise sanitária mundial promovida por uma pandemia que tem sua origem relacionada ao comércio de animais silvestres, André acredita que os governos e autoridades ambientais deveriam dar mais atenção à necessidade do combate a esse crime ambiental. O consultor chama atenção para o pouco caso dado pelos governantes mundiais à Convenção Internacional sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora (CITES).  O Acordo que conta com mais de 130 países signatários, incluindo o Brasil, foi assinado em março de 1973 em Washington, EUA.

“Pouca atenção internacional foi dada a esse documento, o que pode ser exemplificado pela ausência de recursos substantivos destinados a subsidiar projetos que combatam efetivamente as redes de comercialização ilegal. Mesmo com a celebração posterior do Plano Estratégico de Biodiversidade da ONU, cuja vigência encerra agora em 2020, os signatários foram incapazes de coibir o comercio ilegal de animais, terceiro maior mercado depois do tráfico de drogas e de armas”.

Tráfico da fauna silvestre é ilegal no Brasil

Aqui no Brasil o tráfico de animais silvestres é ilegal. No entanto, o país é um dos maiores fornecedores para as redes de comércio no mundo, de acordo com André. “Ao contrário da posição que o Brasil ocupa em relação ao tráfico de drogas, que funciona como um espaço de distribuição da droga produzida nos estados vizinhos, a biodiversidade encontrada no território brasileiro atrai organizações criminosas para extração desses animais e exportação. Os dados são alarmantes. A cada dez animais que são extraídos de seu habitat, apenas um sobrevive ao trajeto até chegar ao consumidor final, que é, em geral, europeu, norte-americano, saudita, chinês ou japonês”.

André ressalta o alto valor de algumas espécies em extinção como o mico leão dourado, que pode chegar a 30 mil dólares um indivíduo. “Uma arara azul chega a cem mil dólares. O comércio movimenta números expressivos. São milhões de animais extraídos por ano e bilhões de dólares movimentados”.

Esperança

Cada vez mais precisamos adquirir consciência de que a pandemia do novo coronavírus, assim como outras epidemias sanitárias, têm origem no impacto de crimes ambientais. Mas toda crise por mais violenta que possa parecer é sim uma oportunidade de aprendizado e transformação. Se cuidarmos agora de nossos ecossistemas e enfrentar questões graves como o tráfico de animais, o comércio ilegal, a biopirataria e outros, poderemos evitar novos desastres.

Jim Robbins, em artigo publicado em 2012 no The New York Times, afirma a maioria das epidemias virais como a AIDS, Ebola, Nilo Ocidental, SARS, doença de Lyme foram “resultado de coisas que as pessoas fazem com a natureza”.

As doenças, ao que parece, são em grande parte uma questão ambiental. Sessenta por cento das doenças infecciosas emergentes que afetam os seres humanos são zoonóticas – elas se originam em animais. E mais de dois terços delas são originárias da vida selvagem, alerta Robbins. “Equipes de veterinários e biólogos da conservação estão no meio de um esforço global com médicos e epidemiologistas para entender a “ecologia da doença.”

 

Manuella Soares 

Comunicação Animal Care

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