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Brasil é um dos principais pontos de saída de animais silvestres para o comércio internacional

Entidades internacionais atualizam informações sobre o tráfico de animais no Brasil

Desde o ano passado, por conta do aumento das queimadas e do desmatamento na floresta amazônica e agora com a Covid-19, a questão ambiental tem sido um alvo cada vez maior da sociedade. Nesse contexto, o tema do tráfico de animais silvestres também tem aparecido com mais frequência na mídia. A mordida de uma cobra Naja em um estudante de veterinária, em Brasília, no último mês de julho, também pôs luz no debate sobre esse crime ambiental que retira da natureza centenas de espécies e fomenta um poderoso comércio clandestino.

Um estudo realizado pelas organizações internacionais Traffic e a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), com o apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), apontou o Brasil como uma das referências no tráfico de animais silvestres no mundo.

Segundo o relatório Wildlife Trafficking in Brazil, 13% da vida animal e vegetal do planeta está em território brasileiro. O estudo monstra que, no ano de 2008, os centros de Recepção de animais silvestres (Cetas), administrados pelo IBAMA em diversos estados brasileiros, receberam mais de 60 mil animais selvagens, a maioria resgatada em apreensões. Dez anos depois, em 2018, esse número cresceu para cerca de 72 mil animais recebidos pelos centros de triagem.

Aves são as principais vítimas

As aves são as maiores vítimas. Entre os anos de 2005 e 2009, das 30 espécies mais traficadas, 24 são pássaros, entre eles o canário-da-terra, o capuz-vermelho, o barriga amarela, a pomba-roxa e a pomba-verde, as cinco mais disputas no mercado. Aves de maior porte como a arara-azul também são altamente ameaçadas.

A família dos nossos conhecidos papagaios (que englobam mais de 50 espécies, distintas) também está nos primeiros lugares do ranking dos animais que mais sofrem com o comércio ilegal.

Apesar de o maior comércio ilegal de animais silvestres estar concentrado na Amazônia, das espécies ameaçadas, atualmente (1.173 espécies), metade delas fazem parte do bioma da Mata Atlântica.

Fonte: Relatório Wildlife Trafficking in Brazil

Da domesticação à biopirataria

O estudo também mostra que há diferentes mercados que são supridos pela diversidade de espécies retiradas da natureza. Os usos vão desde a domesticação e entretenimento em centros de exposição, zoológicos e parques até a biopirataria.

“Temos um comércio ilegal grande para os EUA que varia de peixe ornamental a aves e a répteis, com um comércio crescente pelo couro do pirarucu. Tem um mercado enorme de colecionadores de aves, principalmente para Europa, e de répteis e anfíbios, principalmente para Alemanha; de aves de rapina para o Oriente Médio. Tem também toda medicina tradicional asiática [que consome] pepino-do-mar, cavalo-marinho, barbatana de tubarão, onça. E tem crescido o número tanto de jabutis quanto de cágados de água doce saindo pro mercado de pet e pra medicina tradicional asiática”, disseram as autoras, Sandra Charity, diretora interina da Proforest, e Juliana Ferreira, diretora-executiva da Freeland Brasil, ao Jornal ((o)) eco.

O relatório foi feito com base em apreensões realizadas pelas agências competentes, como Ibama, Polícia Federal, Polícia Militar Ambiental dos estados e outros centros oficiais de reabilitação.

Informação e educação para transformar

O documento aponta como uma das estratégias de combate a esse crime ambiental, a criação de um comitê multiagência para promover a cooperação institucional e o compartilhamento de dados, fortalecer a legislação e classificar o comércio de animais silvestres um crime grave.
Sobre o hábito de tentar transformar um animal silvestre nascido na natureza em pet, o documento aponta como solução estratégias educacionais e de conscientização. O debate sobre os impactos de se retirar um pássaro ou outros animais da natureza é hoje mais do que urgente para sustentarmos nossos ecossistemas, para a sobrevivência não somente deles, mas da nossa própria espécie que depende da diversidade para sobrevier neste planeta.

Animal Care abriga sobreviventes

Com a preocupação de acolher os que sobreviveram aos maus-tratos e que não tem mais condições de voltar à natureza, foi criado o Animal Care. Uma instituição autorizada pelos órgãos competentes (Ibama e Inea) que, desde 2014, acolhe animais silvestres vítimas do comércio ilegal. O Santuário está situado em em uma Área de Proteção Ambiental (APA), na Serra da Bocaina,  na cidade de Angra dos Reis (RJ).
No mantenedouro, não é permitida visitação pública, reprodução dos animais nem, tampouco, sua comercialização ou doação.

Manuella Soares
Comunicação Animal Care

 

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